Dramaturgos & Autores

Maria Clara Machado: Criadora do nosso Teatro Infantil  (Dramaturgos & Autores) escrito em quarta 21 março 2012 13:28

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Maria Clara Machado (1921 - 2001). Autora, diretora, professora e atriz. No começo da década de 1940, dedica-se ao teatro de bonecos, base de seu aprendizado teatral.

Entre o fim de 1949 e início de 1950, recebe uma bolsa do governo francês e frequenta, em Paris, cursos de formação de ator na Education Par les Jeux Dramatiques (E.P.J.D.), do ator francês Jean-Louis Barrault (1910 - 1994). Em 1951, funda o grupo de teatro amador “O Tablado”, com amigos e intelectuais que se reúnem na casa de seu pai, o escritor Aníbal Machado (1894 - 1964). Em 1956, inicia a publicação dos Cadernos de Teatro. Cria o curso regular de teatro do Tablado em 1964 e o coordena até 1999. Ensina improvisação no Conservatório Nacional de Teatro (atual Escola de Teatro da Unirio), de 1959 a 1974, e é diretora da escola em 1967.

Escreve 27 peças para o público infantil e cinco para adultos, entre 1953 e 2000. Entre elas: O Boi e o Burro a Caminho de Belém, 1953; Pluft o Fantasminha, 1955; A Bruxinha que Era Boa, 1958; O Cavalinho Azul, 1960; Maroquinhas Fru-Fru, 1961; A Menina e o Vento, 1963; Tribobó City, 1971; O Dragão Verde, 1984; Jonas e a Baleia, 2000, sua última obra, escrita em parceria com Cacá Mourthé (1959), sua sobrinha. Nos anos 1960 e início de 1970, revela-se como autora de peças para o teatro adulto.

A obra teatral de Maria Clara Machado está intimamente ligada à trajetória de “O Tablado”. Para o grupo amador, fundado em 1951, a autora desenvolve uma dramaturgia própria e pioneira, que revela sua importante contribuição na série de transformações e inovações introduzidas no teatro para crianças, a partir de 1950, em consonância com as mudanças por que passa a atividade teatral no Brasil.

Segundo a pesquisadora Claudia de Arruda Campos, com o sucesso, em 1948, de O Casaco Encantado, de Lucia Benedetti (1914 - 1998), medidas oficiais de incentivo ao teatro para crianças são propostas, inserindo essa área no processo de modernização cultural que está em curso no país. Em 1952 é instituído o Concurso Anual de Peças Infantis da Prefeitura do Distrito Federal, destinado a premiar anualmente as três melhores peças inéditas.

Em 1953, Maria Clara ganha o 1º prêmio pela autoria de sua segunda peça, O Rapto das Cebolinhas, história que conta o roubo das cebolinhas mágicas da horta do coronel Felício, misto de agricultor e cientista distraído. A peça destaca-se pelo domínio da construção dramática, temática contemporânea próxima do cotidiano, simplicidade e eficiência da linguagem.

Para a pesquisadora Maria Helena Kühner (1933), "toda vez que se fala em teatro infantil brasileiro, surge necessariamente, como marco, um antes e depois de Maria Clara Machado e O Tablado". Maria Helena define a obra teatral da autora como uma "uma guinada da maior importância", caracterizada não só por suas inovações formais, mas por definir a criança "a partir dela mesma, de sua experiência, sua psicologia, sua linguagem. Representa não mais acatar passivamente valores instituídos ou estabelecidos, relações verticais de 'autoridade' e 'respeito', noções prefixadas sobre toda e qualquer coisa - até sobre o bem e o mal". Nas palavras do crítico de teatro Décio de Almeida Prado (1917 - 2000): "Maria Clara não diz, não descreve teoricamente como são as crianças; faz uma coisa mais difícil: mostra-as em ação diante dos nossos olhos, como uma realidade que é poética por ser tão depurada, tão simples e verdadeira".

O texto de Maria Clara Machado é pensado em função da cena, do espetáculo que dele resulta, ressalta Claudia Campos. É um teatro sem pretensões literárias que busca assumidamente o caminho dos sentidos. Não é um "teatro-texto", mas ao incluir "em seu arsenal os recursos da palavra, um 'teatro-espetáculo', o que, entre outras coisas, quer dizer que a leitura da peça infantil precisa, necessariamente, dar grande peso às rubricas e, mais, ir além das rubricas, brincando um pouco com as possibilidades cênicas de cada recurso". Nesse sentido, o teatro-espetáculo pode utilizar, de maneira controlada ou desmedida, um conjunto equilibrado de efeitos articulados à palavra, e até mesmo dispensá-la ou substituí-la por algum recurso de cena equivalente.

Pluft, o Fantasminha recebe os prêmios da Associação Paulista dos Críticos de Teatro (APCT) de melhor autor e melhor espetáculo, em 1956. No mesmo ano obtém o Prêmio Saci de teatro, do jornal O Estado de S. Paulo. O texto, baseado em uma pequena intriga policialesca, conta com humor lírico e muita magia, a amizade que surge entre uma menina e um fantasma. O tema construído durante a narrativa é a possibilidade de se vencer o medo. Décio de Almeida Prado observa que os jogos de cena, habitualmente trabalhados na direção, aparecem incorporados ao texto e conclui ser impossível saber até onde vai a autora e onde começa a encenadora.

Ao iniciar o curso regular de teatro de O Tablado, em 1964, Maria Clara procurar dar ênfase à prática teatral. Suas aulas são dinâmicas e por vezes ritmadas com a marcação de um tambor. Trabalha gestual, mímica e realiza exercícios dramáticos com os atores preparando-os para expressar sentimentos e emoções. Nos espetáculos de fim de ano, o aluno entra em contato direto com o público, vive a emoção de uma estreia e se envolve na elaboração de cenários, figurinos, sonoplastia, luz etc. O cuidado na formação dos atores tabladianos permite a criação de uma linguagem cênica que privilegia a dicção, a limpeza de movimentos em cena, a composição de personagens e o bom acabamento das produções.

Para Maria Clara, o fundamental é que o ator aprenda a ter consciência de trabalho de equipe e a noção do espetáculo como um todo. Suas montagens, além de ágeis, movimentadas e coloridas, possuem acabamento impecável. Carlos Drummond de Andrade constata: "Clara revelou-se autora e diretora da mais alta qualidade estética: a imaginação".

(Texto extraído do site: http://www.itaucultural.org.br)

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Quem é Michael Ende?  (Dramaturgos & Autores) escrito em quarta 28 setembro 2011 05:44

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Michael Ende (Garmisch, 12 de Novembro de 1929 - Filderstadt-Bonlanden, 29 de agosto de 1995) foi um escritor alemão de romances sobre fantasia e livros infantis e parte de um movimento antroposófico (estudo do homem sob o ponto de vista moral e intelectual).

Filho do pintor surrealista Edgar Ende, tornou-se conhecido por seu trabalho Die unendliche Geschichte (A História sem Fim), e seus outros livros incluem Momo e " O Senhor do Tempo"  e  Jim Knopf.

Ele é um dos mais famosos autores do século XX, por seu sucesso com livros infantis, que convida o leitor a entrar em um estranho mundo cheio de símbolos visionários e o poder de se identificar com os heróis de suas histórias.

Os livros de Michael foram traduzidos em mais de quarenta idiomas e vendidos mais de vinte milhões de cópias.

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VINICIUS DE MORAES: UM HOMEM DE INUMERAS PAIXÕES  (Dramaturgos & Autores) escrito em sábado 29 maio 2010 22:51

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O biógrafo de Vinicius, José Castello, autor do excelente livro "Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão - uma biografia" nos diz que o poeta foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata. Dele disse Carlos Drummond de Andrade: "Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural". "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes". Otto Lara Resende assim o definiu: "Manuel Bandeira viveu e morreu com as raízes enterradas no Recife. João Cabral continua ligado à cana-de-açúcar. Drummond nunca deixou de ser mineiro. Vinicius é um poeta em paz com a sua cidade, o Rio. É o único poeta carioca". Mas ele dizia nada mais ser que "um labirinto em busca de uma saída". O que torna Vinicius um grande poeta é a percepção do lado obscuro do homem. E a coragem de enfrentá-lo. Parte, desde o princípio, dos temas fundamentais: o mistério, a paixão e a morte. Quando deixa a poesia em segundo plano para se tornar show-man da MPB, para viver nove casamentos, para atravessar a vida viajando, Vinicius está exercendo, mais que nunca, o poder que Drummond descreve, sem conseguir dissimular sua imensa inveja: "Foi o único de nós que teve a vida de poeta". Poeta essencialmente lírico, o poetinha (como ficou conhecido) notabilizou-se pelos seus sonetos Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida. Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra. Em 2005, "The Girl from Ipanema", versão em inglês de "Garota de Ipanema", de Astrud Gilberto, Tom Jobim, João Gilberto e Stan Getz, realizada em 1963, foi escolhida como uma das 50 grandes obras musicais da Humanidade pela Biblioteca do Congresso Americano. Ainda em 2005, estreou, na abertura da sétima edição do "Festival do Rio", o documentário "Vinicius", dirigido por Miguel Faria Jr e produzido por Suzana de Moraes, filha do poeta, com a participação de Chico Buarque, Carlos Lyra, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Adriana Calcanhoto, Mariana de Morais e Olívia Byington, entre outros convidados. A trilha sonora do filme foi lançada em CD.

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Augusto Boal: Vida e Obra  (Dramaturgos & Autores) escrito em quarta 06 maio 2009 14:49

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Família e Estudos

Augusto Boal nasceu no subúrbio da Penha, Rio de Janeiro. Filho do padeiro português José Augusto Boal e da dona de casa Albertina Pinto, desde os nove anos dirigia peças familiares, com seus três irmãos. Aos 18 anos vai estudar Engenharia Química na antiga Universidade do Brasil, atual UFRJ, e paralelamente escrevia textos teatrais. Na década de 1950 enquanto realizava estudos em nível de Ph.D em Engenharia Química, na Columbia University, em Nova York, estuda dramaturgia na School of Dramatics Arts, também na Columbia, com John Gassner, professor de Tennessee Williams e Arthur Miller. Na mesma época, assistia às montagens do Actors Studio.

Teatro de Arena

De volta ao Brasil, em 1956, passa a integrar o Teatro de Arena de São Paulo, a convite de Sábato Magaldi e José Renato. O Arena tornou-se uma das mais importantes companhias de teatro brasileiras, até o seu fechamento, no fim da década de 1960. Sua primeira direção é Ratos e Homens, de John Steinbeck, que lhe valeu o prêmio de revelação de direção da Associação Paulista de Críticos de Artes, em 1956. Seu primeiro texto encenado foi Marido Magro, Mulher Chata, uma comédia de costumes. Depois de uma série de insucessos comerciais e diante da perspectiva de fechamento do Arena, a companhia decide investir em textos de autores brasileiros. Superando as expectativas Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, dirigido por José Renato, torna-se um grande sucesso, salvando o Arena da bancarrota. O grupo ressurge, provocando uma verdadeira revolução na cena brasileira, abrindo caminho para uma dramaturgia nacional. Para prosseguir na investigação de um teatro voltado para a realidade do Brasil, Boal sugere a criação de um Seminário de Dramaturgia que se tornará o celeiro de vários novos dramaturgos. As produções, fruto desses encontros, vão compor o repertório da fase nacionalista do conjunto nos anos seguintes. Sob direção de Boal o Arena apresenta Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho, 1959, segundo êxito nessa vertente. Arena e Oficina Depois de dirigir, em 1959 A Farsa da Esposa Perfeita, de Edy Lima, Boal apresenta Fogo Frio, de Benedito Ruy Barbosa, em 1960, uma produção conjunta entre o Arena e o Teatro Oficina, através da qual orienta um curso de interpretação. Dirige também, para o Oficina A Engrenagem, adaptação dele e de José Celso Martinez Corrêa do texto de Jean-Paul Sartre. Em 1961, Antônio Abujamra dirige um outro texto de Boal, José, do Parto à Sepultura, com os atores do Oficina, que estréia no Teatro de Arena. No mesmo ano, o espetáculo Revolução na América do Sul estréia, com direção de José Renato. Augusto Boal se torna um dos mais importantes dramaturgos do período. Em 1962, o Arena inicia nova fase: a nacionalização dos clássicos. José Renato deixa a companhia e Boal torna-se líder absoluto e sócio do empreendimento. Encerra-se a leva de encenações dos textos produzidos no Seminário de Dramaturgia. Em 1963 encena O Noviço, de Martins Pena e Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, no teatro Oficina, em colaboração com grandes artistas do teatro brasileiro, tais como o cenógrafo Flávio Império e Eugênio Kusnet, responsável pela preparação dos atores. Ainda desta fase são O Melhor Juiz, o Rei, de Lope de Vega e Tartufo, de Molière, produções de 1964. Depois do golpe militar, Boal dirige no Rio de Janeiro o show Opinião, com Zé Kéti, João do Vale e Nara Leão - depois substituída por Maria Bethânia). A iniciativa surge de um grupo de autores (Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e Armando Costa) ligados ao Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, posto na ilegalidade. O grupo pretendia criar um foco de resistência política através da arte. De fato evento é um sucesso e contagia diversos outros setores artísticos. O Opinião 65, exposição de artes plásticas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), surge na seqüência, aglutinando os artistas ligados aos movimentos de arte popular. Esse é o nascedouro do Grupo Opinião. Musicais A partir de Opinião, Boal inicia o ciclo de musicais no Arena, com Gianfrancesco Guarnieri e Edu Lobo, apresentando Arena Conta Zumbi (1965), primeiro experimento com o sistema curinga onde oito atores se revezam, fazendo todas as personagens. O sucesso de público abre caminho para Arena Conta Bahia, com direção musical de Gilberto Gil e Caetano Veloso, e Maria Bethânia e Tom Zé no elenco. Em seguida, é encenado Tempo de Guerra, no Oficina, com texto de Boal e Guarnieri, poemas de Brecht e vozes de Gil, Maria da Graça (Gal Costa), Tom Zé e Maria Bethânia, sob a direção de Boal. No ano seguinte, é a vez do espetáculo Arena Conta Tiradentes, centrado em outro movimento histórico de luta nacional - a Inconfidência Mineira. Também uma aplicação do sistema curinga, a peça não propõe retratar os fatos de forma ortodoxa e cronológica, mas criar conexões com fatos, tipos e personagens que se referem constantemente ao período pré e pós-1964. A Primeira Feira Paulista de Opinião, concebida e encenada por Boal no Teatro Ruth Escobar, é uma reunião de textos curtos de vários autores - um depoimento teatral sobre o Brasil de 1968. Estão presentes textos de Lauro César Muniz, Bráulio Pedroso, Gianfrancesco Guarnieri, Jorge Andrade, Plínio Marcos e do próprio Boal. O diretor apresenta o espetáculo na íntegra, ignorando os mais de 70 cortes estabelecidos pela censura, incitando a desobediência civil e lutando arduamente pela permanência da peça em cartaz, depois de sua proibição. Exílio Com a decretação do Ato Institucional nº 5, em fins de 1968, o Arena viaja para fora do país, excursionando, entre 1969 e 1970 pelos Estados Unidos, México, Peru e Argentina. Boal escreve e dirige Arena Conta Bolivar. Em seu retorno, com uma equipe de jovens recém-saídos de um curso no Arena, cria o Teatro Jornal - 1ª Edição, experiência que aproveita técnicas do agitprop e do Living Newspaper, grupo norte-americano dos anos 1930 que trabalhava com dramatizações a partir de notícias de jornal. A Resistível Ascensão de Arturo Ui, de Brecht, é a última incursão de Boal no sistema curinga, que entretanto não acrescenta grandes novidades na linguagem do grupo. Em 1971, Boal é preso e torturado. Na seqüência, decide deixar o país, com destino à Argentina, terra de sua esposa, a psicanalista Cecília Boal. Lá permanece por cinco anos e desenvolve o Teatro Invisível. Naquele mesmo ano, Torquemada, um texto seu sobre a Inquisição, é encenado em Buenos Aires. Em 1973, vai para o Peru, onde aplica suas técnicas num programa de alfabetização integral e começa a fazer o Teatro Fórum. Em 1974, seu texto Tio Patinhas e a Pílula é encenado em Nova York. No Equador, desenvolve, com populações indígenas, o Teatro Imagem. Esse período é representado por Boal em seu texto Murro em Ponta de Faca. Muda-se para Portugal, onde permanecerá por dois anos. Ali, com o grupo A Barraca, realiza a montagem A Barraca Conta Tiradentes, 1977. Lá também escreve Mulheres de Atenas, uma adaptação de Lisístrata, de Aristófanes, com músicas de Chico Buarque. Finalmente, a partir de 1978 estabelece-se em Paris, onde cria um centro para pesquisa e difusão do teatro do oprimido, o Ceditade (Centre d'étude et de diffusion des techniques actives d'expression). Lá, com ajuda de sua esposa desenvolve um teatro mais interiorizado e subjetivo, o Arco-íris do desejo (Método Boal de Teatro e Terapia). Enquanto isso, em São Paulo (1978) Paulo José dirige, para a companhia de Othon Bastos, Murro em Ponta de Faca, texto em que Boal enfoca a vida dos exilados políticos. Boal visita o Brasil em 1979, para ministrar um curso no Rio de Janeiro, retornando, no ano seguinte, juntamente com seu grupo francês, para apresentar o Teatro do Oprimido, já consagrado em muitos países. Em 1981, promove o I Festival Internacional de Teatro do Oprimido. Volta ao Brasil definitivamente em 1986, instalando-se no Rio, onde inicia o plano piloto da Fábrica de Teatro Popular, que tinha como principal objetivo tornar acessível a qualquer cidadão a linguagem teatral e cria o Centro do Teatro do Oprimido.

Homenagem

Uma das canções de Chico Buarque é uma carta em forma de música - uma carta musicada que ele fez em homenagem a Boal, que vivia no exílio em Lisboa, quando o Brasil estava sob a ditadura militar. A canção Meu Caro Amigo, dirigida a ele, foi gravada originalmente no disco Meus Caros Amigos 1976.

Teatro Popular

Boal preconizava que o teatro deve ser um auxiliar das transformações sociais e formar lideranças nas comunidades rurais e nos subúrbios. Para isto organizou uma sucessão de exercícios simples, porém capazes de oferecer o desenvolvimento de uma boa técnica teatral amadora, auxiliando a formação do ator de teatro.

Nobel

 Augusto Boal foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2008, em virtude de seu trabalho com o Teatro do Oprimido. Em março de 2009, foi nomeado pela Unesco embaixador mundial do teatro.

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Augusto Boal: O Poeta contra a Opressão  (Dramaturgos & Autores) escrito em quarta 06 maio 2009 11:06

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«O Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos 'espect-atores'. »

 

Augusto Pinto Boal (Rio de Janeiro, 16 de março de 1931 - Rio de Janeiro, 2 de Maio de 2009) foi diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro, uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional. Fundador do Teatro do Oprimido, que alia o teatro à ação social, suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, notadamente nas três últimas décadas do século XX, sendo largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional.

O dramaturgo é conhecido não só por sua participação no Teatro de Arena da cidade de São Paulo (1956 a 1970), mas sobretudo por suas teses do Teatro do Oprimido, inspiradas nas propostas do educador Paulo Freire.

Tem uma obra escrita expressiva, traduzida em mais de vinte línguas, e suas concepções são estudados nas principais escolas de teatro do mundo. O livro Teatro do oprimido e outras poéticas políticas trata de um sistema de exercícios ("monólogos corporais"), jogos (diálogos corporais) e técnicas de teatro-imagem, que, segundo o autor, podem ser utilizadas não só por atores mas por todas as pessoas.

O Teatro do Oprimido tem centros de difusão nos Estados Unidos, na França e no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, Santo André e Londrina.

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