A Cia. Arteatrando apresenta “Cantares das Cores”, intervenção performática que homenageia o artista Solano Trindade e encerra a parceria com a Prefeitura Municipal de Amparo no ano de 2009. Esta é a última apresentação do Projeto A Cidade em Cena. As apresentações serão realizadas nos intervalos da programação do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, na Praça Pádua Salles das 9 às 11:30 horas.
A Associação Cia. de Teatro Arteatrando agradece publicamente a Prefeitura Municipal de Amparo através da Secretaria de Esportes, Lazer e Cultura, na pessoa da secretaria Ana Maria P. S. de Camargo que acreditou e valorizou o trabalho artístico e cultural da Associação. Agradece por seus esforços em propiciar as condições para a realização do Projeto "A Cidade em Cena", que veio para fazer a diferença. Depois de treze anos de existência da Companhia, o poder público finalmente reconheceu e colaborou para o desenvolvimento do “fazer teatral” em nossa cidade, com um trabalho inédito de formação de público e evidenciando, finalmente, novos rumos para a cultura em nosso município.
Solano na Praça e na História:
Trazer a poesia de Solano Trindade é resgatar um pouco desse pioneiro na luta pela valorização da cultura afro-brasileira. Levá-la à praça pública, então, nada exaltaria mais o seu espírito libertário. De todos os escritores negros, ligados à coletividade negra brasileira, o que deixou presença mais forte foi Solano Trindade. Foi o primeiro a escrever, com especificidade, para negros, naquele tempo. Pagou o preço disso, e como! Carlos Drummond de Andrade disse o seguinte sobre alguns de seus poemas: "Há nesses versos uma força natural e uma voz individual rica e ardente que se confunde com a voz coletiva"
Solano Trindade era poeta, pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Nasceu no dia 24 de julho de 1908, no bairro de São José, no Recife, capital de Pernambuco. Era filho de Manuel Abílio, mestiço, sapateiro, e da quituteira Merença (Emerenciana). Estudou até completar um ano de desenho no Liceu de Artes e Ofício. A partir de então, começa a escrever.
Sua "carreira" como militante inicia-se, de fato, a partir de 1930, quando começa a compor poemas afro-brasileiros e, já integrado nesta corrente, participa em 1934 do I e II Congresso Afro-Brasileiro, no Recife e Salvador. Em 1936 fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro, que tinha o objetivo de divulgar os intelectuais e artistas negros.
Em 1940 transfere-se para Belo Horizonte. Depois chega ao Rio Grande do Sul, fixando-se por um tempo em Pelotas, onde funda com o poeta Balduíno de Oliveira um grupo de arte popular. Esta foi sua primeira tentativa de criar um teatro do povo, o que não se concretizou devido à enchente de 1941, que carregou todo o material. Voltou então para Recife, indo logo depois para o Rio, onde no "Café Vermelhinho", detém-se a discutir e a conversar com jovens poetas e intelectuais, artistas de teatro, políticos e jornalistas. Ali fez sucesso.
Em 1944, edita o livro "Poemas de uma vida simples", onde se encontra o seu declamadíssimo "Trem sujo da Leopoldina". Em 1945 funda o Comitê Democrático Afro-brasileiro, com Raimundo Souza Dantas, Aladir Custódio e Corsino de Brito.
Em 1954 está em São Paulo, criando na cidade de Embu, um pólo de cultura e tradições afro-americanas. Em São Paulo também funda o Teatro Popular Brasileiro – TPB, onde desenvolveu uma intensa atividade cultural voltada para o folclore e para a denúncia do racismo. Em 1955 viaja para a Europa, com o TPB, onde dá espetáculos de canto e dança. Em 1958 edita "Seis tempos de poesia"; em 1961, "Cantares ao meu povo" (com uma reunião de poemas anteriores). Solano Trindade faleceu no Rio de janeiro, em 19 de fevereiro de 1974. Deixou, acima de tudo, exemplos de sabedoria e lições para que o povo negro se orgulhasse das suas origens étnicas e de suas tradições culturais. Possuía a felicidade dos homens que se dedicam a uma grande obra e se confundem com ela. Quase no fim da vida, afirmou que tinha de haver maior solidariedade entre os negros de todo o mundo, os quais deveriam se reunir aos brancos que são contra o racismo.
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