Para as Mulheres!  (Programação da Casa) escrito em domingo 07 março 2010 22:48

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Arte de Marcelo Masselani

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SOBRE AS MULHERES  (Monólogos reflexivos) escrito em domingo 07 março 2010 22:43

O ser humano nasce pronto, mas incompleto. Essa incompletude se resolve na vida e nas relações sociais. Ser mulher, assim como ser homem, mais do que um fator biológico, é um fenômeno social. Não somente os papéis sociais, mas a própria subjetividade se compõe a partir de modelos que se fazem e desfazem de acordo com a época, a cultura, a idade, a necessidade.

O mal que a sociedade fez, a nós mulheres, assim como fez aos homens, foi a imposição de um único papel social, de um único modelo. Ao contrário dos gregos que, mesmo sendo bastante opressora com as mulheres, as representavam em papéis muito distintos, como a guerreira, a mãe, a esposa ciumenta, a mística, a sedutora, etc, nos foi dado um lugar restrito, confinado, sem opção, o lugar de santa, dona de casa, esposa casta, mãe. Mas e o lugar dos homens era um bom lugar?

O homem, mesmo ocupando o papel de opressor, também sofria a restrição de um papel social excessivamente rígido: homens não choram, são provedores da família, têm que ser viris, etc. E a luta das mulheres, ao contrário de ser contra os papéis sociais opressores, se tornou, em uma determinada perspectiva, contra os homens.

Ainda permanece nas lutas que travamos um ranço, uma reatividade, uma vingança, não somente contra os homens, mas contra a maternidade, os trabalhos domésticos, o cuidados com os filhos, a fragilidade, a sensibilidade, ou tudo que nos lembre aquilo que um dia fomos. E terminamos nos tornando um ser híbrido, que nasceu não de uma ação, mas de uma reação, um ser que nega a si mesmo, nega seu corpo, seus hormônios, suas lágrimas pré menstruais, e busca cada vez mais conquistar espaços sociais, honras, que nunca fizeram felizes aos homens e hoje oprime e apaga mulheres cada vez mais sozinhas e poderosas. Que percebem, tarde demais, devido ao limite de nosso relógio biológico, que não era nada daquilo que queriam.

Quem somos mulheres de hoje? Mulheres cada vez mais independentes, mas talvez excessivamente independentes, ou oprimidas pela independência. Por isso mulheres maravilhosas, incríveis, criativas, fantásticas, belas, mas sozinhas, aprisionadas por um plano, um projeto de vida construído em reação a opressão a que fomos submetidas. A hora agora nos exige um novo passo: não se trata mais de tomar um lugar, mas de criá-lo: qual o lugar de nossa diferença, qual o lugar que nos faz florescer? Precisamos construir um espaço que nos caiba e este espaço deve ser necessariamente complexo, como nosso corpo, nossa potencialidade. A mulher expande pra dentro, mas também explode pra fora em forma de broto, filho criação, invenção.

Viviane Mosé

 

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É capixaba e vive no Rio desde 1992. É psicóloga e psicanalista, especialista em “Elaboração e implementação de políticas públicas” pela Universidade Federal do Espírito Santo. Mestra e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autora do livro Stela do Patrocínio -Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, publicado pela Azougue Editorial e indicado ao prêmio Jabuti de 2002, na categoria psicologia e educação. Organizou, junto com Chaim Katz e Daniel Kupermam o livro Beleza, feiúra e psicanálise (Contracapa, 2004). Participou da coletânea de artigos filosóficos, Assim Falou Nietzsche (Sette Letras, UFOP, 1999). Publicou em 2005, sua tese de doutorado, Nietzsche e a grande política da linguagem, pela editora Civilização Brasileira. Escreveu e apresentou, em 2005 e 2006, o quadro Ser ou não ser, no Fantástisco, onde trazia temas de filosofia para uma linguagem cotidiana. Como poeta, publicou seu primeiro livro individual em Vitória, ES, Escritos, (Ímã e UFES, 1990). Publicou, no Rio, Toda Palavra, (1997), e Pensamento Chão ( 2001), ambos reeditados pela Record em 2006 e 2007. E Desato (Record, 2006). Participou em 1999 do livro Imagem Escrita (Graal, 1999), coletânea de artistas plásticos e poetas, em parceria com o artista plástico Daniel Senise. Seus poemas foram tema da Coleção Palavra, de estilistas de Oestudio Costura, que desfilou no Fashion Rio de 2003. É autora dos textos poéticos da personagem Camila no filme Nome Próprio de Murilo Salles, (2008). Tem alguns de seus poemas musicados, é parceira da cantora Mart’nália em duas músicas, “Contradição” e “Você não me balança mais”, que foram gravadas por ela e por Emílio Santiago, em seu último disco.
Participou de diversos eventos de poesia como a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, Feira do Livro de Fortaleza, Feira do Livro de Porto Alegre, Festival de Inverno de Ouro Preto, Festival de Teatro de São José do Rio Preto, Rio Cena Contemporânea, Festival Carioca de Poesia, Bienal Internacional de poesia de Brasília, entre outros.

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Estréia de "MulheRios"  (Programação da Casa) escrito em sexta 05 março 2010 21:04

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A CASA DO TEATRO DIVULGA ATRAÇÕES PARA O MÊS DE MARÇO  (Programação da Casa) escrito em sexta 05 março 2010 20:58

Já é tradição na Cia. Arteatrando fazer espetáculos sobre as mulheres. Montagens premiadas como “As Bruxas de Salém” de Arthur Miller (2000) “Camille Claudel - O Delírio da Criação” de Elisa Monteiro e Alexandre Cruz (2001) e “A Casa de Bernarda Alba” (2009) de Federico Garcia Lorca, além de sua mais popular criação “As Clitorianas” (2005) trouxeram para o palco diferentes histórias sobre o feminino. Dia 06 de março para comemorar o Dia Internacional das Mulheres, a Companhia estréia seu mais novo espetáculo “MulheRios”.

Para a concepção do espetáculo, a inspiração veio através da poesia. “Temos grandes poetisas e escritoras, a escolha veio de forma intuitiva. Nesse processo selecionamos três escritoras para nossa ‘adapta-ação’: Viviane Mosé, Hilda Hilst e Cora Coralina” declara Márcia Aleiixo que assina a direção com Alexandre Cruz.

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A primeira escolhida foi a filósofa, psicanalista e poetisa capixaba Viviane Mosé. Viviane transforma a poesia encontrada no cotidiano em divagações filosóficas de uma forma absolutamente reveladora.

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A segunda mulher é a Hilda Hilst – a transgressora da palavra, Hilda é uma das mais intensas escritoras nossas. Morta há seis anos, a escritora que nasceu em Jaú e viveu grande parte da sua vida em Campinas, escreveu prosa, verso, crônicas e teatro, uma verdadeira artesã da palavra. Em uma obra onde o sexo, a liberdade e o amor são declarados com fúria.

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Para fechar à tríade a escolhida foi a goiana Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins do Guimarães Peixoto Bretãs, a poetisa tinha apenas o terceiro ano do primário. Achava-se mais doceira do que escritora. Considerava os doces cristalizados de caju, abóbora, figo e laranja, que encantavam os vizinhos e amigos, obras melhores do que os poemas escritos em folhas de caderno, iniciados quando ela tinha 14 anos. Só em 1965, aos 75 anos, ela conseguiu realizar o sonho de publicar o primeiro livro, “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”. Ganhou o reconhecimento e a admiração de Carlos Drummond de Andrade, pela doçura e simplicidade de sua arte.

A essência do espetáculo está em mostrar mulheres de várias idades, de várias fases e faces, de vários sabores: doces, amargos, da fibra que é feito o tecido da vida.

No elenco: Pola Godoy, Thais Bernardini, Maria Rubia, Patrícia Aranha e Arminda Riolo.

Dias 06 e 07 de Março

Sábado às 21h e domingo às 20h30min. Entrada Franca. Censura 14 anos.

Local: Casa do Teatro. Rua Barão de Campinas, 619

Mais Informações (19) 3817-1058

   

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O lado quente do ser  (Poesia eletrônica) escrito em sexta 05 março 2010 20:41

A atriz Leila Diniz

Eu gosto de ser mulher
Sonhar arder de amor
Desde que sou uma menina
De ser feliz ou sofrer
Com quem eu faça calor
Esse querer me ilumina
E eu não quero amor nada de menos
Dispense os jogos desses mais ou menos
Pra que pequenos vícios
Se o amor são fogos que se acendem
Sem artifícios
Eu já quis ser bailarina
São coisas que não esqueço
E continuo ainda a sê-la
Minha vida me alucina
É como um filme que faço
Mas faço melhor ainda
Do que as estrelas
Então eu digo amor, chegue mais perto
E prove ao certo qual é o meu sabor
Ouça meu peito agora
Venha compor uma trilha sonora para o amor
Eu gosto de ser mulher
Que mostra mais o que sente
O lado quente do ser
Que canta mais docemente.

de Marina Lima
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